Excelência técnica não é o único requisito para se manter no mercado. O que determina a continuidade do produtor não é apenas a qualidade do que sai da lavoura, mas também a estrutura que existe para protegê-lo quando o mercado
muda de direção.
E o mercado muda rapidamente. Em momentos de excesso de oferta, a insegurança cresce, compradores reduzem ritmo, relações comerciais ficam mais frágeis e quem está com produto na mão passa a operar sob pressão. A volatilidade não é uma exceção eventual; faz parte da dinâmica do setor. O problema é que, quando surgem movimentos extremos, as ineficiências acumuladas ao longo da cadeia acabam recaindo sobre o elo mais vulnerável: o produtor.
"Quando o mercado
entra em pânico, as
ineficiências da cadeia
recaem sobre quem
está com o produto
na mão — geralmente
o produtor, mais
exposto quando falta
governança."
A resposta para isso não é individual. Nenhum produtor, independentemente da sua experiência ou eficiência, consegue sozinho controlar riscos que são estruturais. Identificar valor, reduzir custos, construir previsibilidade e proteger renda exigem coordenação e governança.
O Ibrahort acredita que a construção de uma horticultura mais forte passa por organização, cooperação e responsabilidade compartilhada. E essa é uma decisão que o setor precisa tomar agora.
Vozes do Setor é a nova seção da revista Hortifruti Brasil. Reúne opiniões de associações parceiras da Hortifruti Brasil sobre temas relevantes do setor. As informações apresentadas são de responsabilidade da entidade autora.